2/24/2007

Artista Plástico Equadoense - Novos Trabalhos

Obras de Artes do Artista Plástico Sebastion (Sebastião Jacinto dos Santos)





Título: Flor do Maracatu

Técnica: Mista

Medidas: 35 x 45

Acervo Particular

Natal/RN, 2006


Título: Sopro de Paz
Técnica: Mista
Medidas: 35 x 45
Acervo Particular
Natal/RN, 2006














Título: Uma Flor Pela Paz
Técnica: Mista
medidas: 40 x 70
Acervo Particular
Natal/RN, 2004








12/27/2006

Obras de Artes de Sebastião Jacinto dos Santos

Obras de Artes do Artista Plástico Sebastion (Sebastião Jacinto dos Santos

Título: Rua da Casa Rosa
Técnica: Mista
medidas: 50 x 70
Acervo Particular
Natal/RN, 2004

Título: Beija-Flor
Técnica: Acrílica sobre Fórmica
Medidas: 40 x 50
Acervo Público (Janyne)
Natal/RN, 2005

Título: Casal de Anjos Idosos
Técnica: Acrílica sobre Fórmica

Medidas: 53 x 37
Acervo Público

Natal/RN, 2005

Título: Criação do Mundo
Técnica: Acrílica
Medidas: 45 x 50
Acervo Particular

Natal/RN, 2005

Título: Ruínas sobre o Rio
Técnica: Acrílica sobre Tela
Medidas: 50 x 85
Acervo Particular

Natal/RN, 2005


Título: Nossa Senhora da Apresentação

Técnica: óleo sobre Tela

Medidas: 50 x 40
Acervo Público - Natal/RN, 2007










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12/17/2006

12/16/2006

Obras de arte de SEBASTION

Obras de arte do Artista Plástico Sebastião Jacinto dos Santos que assina suas obras como SEBASTION.

“Nascido a 25 de junho de 1972 na cidade de Equador/RN. “Entrou muito cedo para o contato com o “Mundo das Artes”, e desde a infância, com cinco anos de idade já manuseava a argila para confeccionar pequenos bonecos de barro, enquanto sua mãe produzia utensílios: panelas, potes, tigelas, e uma serie de objetos de argila para serem vendidos na fera da cidade, facilitando o desenvolvimento da economia doméstica”.

“Na adolescência teve contato com um curso de desenho, onde aprendeu a produzir pequenas caricaturas e rabiscos. Realizou vários trabalhos através de recortes geométricos e colagens. Durante a juventude realizou a produção de algumas pinturas, e desenho com grafite, giz de cera e nanquim, mas, costuma-se dizer que seu amor pela arte é inato já que na família existe este ambiente de produção artesanal”.

Trabalhou de 2005 a 2006 como professor de Artes na Escola Estadual Raimundo Soares. Estudante do Curso de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e aluno Pesquisador em Arteterapia da Base Ecopedagogia e Arteterapia.

Autor: Sebastion
Título: Casa no Campo
Dimensões: 50 X 35
Técnica: Acrílica sobre tela


Autor: Sebastion
Título: Bola na Rede
Dimensões: 40 X 40
Técnica: Acrílica sobre tela

Autor: Sebastion
Título: Saga do Pecado
Dimensões: 100 X 1,35
Técnica: Acrílica e Bordado Sobre Tecido
Título: A Noite Todas as Coisas São Preto
Ano: 2006
O autor se utiliza de um título com uma prerrogativa gramaticalmente incorreta, em se tratando da concordância. A palavra PRETO deveria está concordando com a palavra COISAS e eventualmente no feminino e no plural. Deveria se seguir: “A Noite Todas as Coisas São Pretas”. A intenção da obra não é abjurar a cor preta, mas, discorrer sobre a importância de tal cor. Aqui, o preto atribuído à noite acaba se transformando em um conceito metafísico. Um preto que está em um piscar dos olhos, ausência de pensamento. Um preto que resgata a própria idéia da Filosofia da linguagem que nos remete a tão discursada frase: “A noite todas as vacas são pretas”. Assim, entramos lentamente no mundo do preconceito racial para com a população NEGRA.
Autor: Sebastion
Título: LANÇANDO A SORTE
Dimensões: 50 X 70
Técnica: Acrílica sobre tela

Autor: Sebastion
Título: ABRINDO PORTAS: CONQUISTANDO O MUNDO
Dimensões: 50 X 70
Técnica: Acrílica sobre tela


Título: Linha do Tempo
Obra exposta do 3º Seminário Sobre Transdisciplinaridade e Complexidade do CEFET –RN – “Abraçando os Saberes na Educação” - 2006 e Exposição Individual no Bardallos de 07 de novembro de 2006 a 01 de janeiro de 2007.
Linha do Tempo é o aspecto histórico da realidade humana que não foje do tercer das horas: um relógio que vai demarcando caminhos bons ou más. Fios que se locomovem entre buracos que retratam a novidade da HISTÓRIA, numa seqüência subjetiva.

Filosofia em Quadrinhos


INTRODUÇÃO
A finalidade deste material é auxiliar a prática docente do professor de Filosofia, visando uma melhor dinamização das aulas. Trabalharemos com a montagem de alguns desenhos em quadrinhos, adaptando-os a realidade dos discursos filosóficos. Nosso trabalho parte do fato, de que não encontramos no comércio dos livros didáticos, material acessível a compreensão do estudo de Filosofia como algo descomplicado, já que na maioria das vezes, os textos clássicos são de difícil compreensão.
A falta de clareza quanto a essa questão deve-se ao fato de que a Filosofia como disciplina não obrigatória ficou a uma certa margem, não evoluiu muito no que se refere à abordagem teórico/metodológica de seus objetos de estudo. Enquanto isso, os professores que continuaram atuando na rede de ensino não tiveram uma capacitação no decorrer do tempo. No geral, permaneceram presos aos conteúdos das antigas aulas universitárias, e aos poucos livros didáticos que tratam do assunto.
Não é pelo fato do ensino da filosofia não ter (como foi considerado durante muito tempo), prioridade, que o professor deva se descuidar da organização de suas aulas. Ele deve desenvolver uma prática capaz de transmitir algumas informações para melhorar o diálogo e a participação do aluno não só na sala de aula, mas no ambiente em que vive. O desenvolvimento desse trabalho pode ser realizado em parceria com outros professores e juntamente com o aluno, visando o procedimento de projetos, estudos bibliográficos, temas transversais, filmes, e tantos outros materiais. Aqui nesse caso, estamos sugerindo algumas tiras para incrementar a dinamização das aulas.
Como trabalhar esse material? Cabe a cada professor da área. A finalidade é ir além da simples leitura e decodificação da charge, fazendo com que o aluno perceba o que está presente nas entrelinhas, fazendo-o observar a visão de mundo, refletindo sobre ela e estabelecendo uma relação de diálogo, tendo em vista ampliar e transformar as suas experiências e conhecimentos.Por fim, esse material deverá incentivar o aluno em sua produção escrita, no posicionamento de argumentos e idéias, e na compreensão de fatos co-relacionados com a realidade homem/meio em que vive e suas próprias condições dentro do campo da ética, cultura, religiosidade e política.
BIBLIOGRAFIA
FILHO, Martins e Silva, IVES Gandra da. Manual Esquemático de História da Filosofia. Ed. LTr – São Paulo. 1997

http://www.monica.com.br/

ARANHA, M. e MARTINS, M. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 1986.

BUZZI, Arcângelo R. Introdução à filosofia: o ser, o conhecimento, a linguagem. 24ª ed. Petrópolis: Vozes, 1997.

CORDI, Cassiano et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: ser, saber e fazer. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1995.

MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 2ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.

MONDIN, Batista. Curso de filosofia. Tradução de Benôni Lemos. 3ª ed. São Paulo: Paulinas, 1983. (Coleção filosofia).

RAEYMEKER, Luís de. Introdução à filosofia. Tradução de Alexandre Correia, 2ª ed. São Paulo: EPU, 1973.

REALE, G. e ANTISERI, D. História da Filosofia. 2ª. ed. São Paulo: Paulus, 1991. Col. Filosofia.

REALE, Miguel. Introdução à filosofia. São Paulo: Saraiva, 1988.

ARANHA, M. e MARTINS, M. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 1986.

BUZZI, Arcângelo R. Introdução à filosofia: o ser, o conhecimento, a linguagem. 24ª ed. Petrópolis: Vozes, 1997.

CORDI, Cassiano et al. Para filosofar. São Paulo: Scipione.

COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia: ser, saber e fazer. 13ª ed. São Paulo: Saraiva, 1997.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1995.
MARCONDES, Danilo. Textos Básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. 2ª ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999.

REALE, G. e ANTISERI, D. História da Filosofia. 2ª. ed. São Paulo: Paulus, 1991. Col. Filosofia.



7/17/2006

A REDESCOBERTA DO SAGRADO


Antes mesmo de elaborar comentários iniciais sobre a temática proposta, faz-se necessário fazer um percurso histórico para entendermos melhor o fenômeno da busca ao Sagrado na atual sociedade.

I. IDADE MÉDIA: DEUS É A CAUSA DE TUDO
A influência da igreja na Idade Média foi marcante na vida medieval: a elaboração da cultura desenvolveu uma espaço mental em que o conhecimento do mundo, e de si mesmo pressupunha a tarefa de encontrar em toda a parte a ordem de Deus.
Os conhecimentos produzidos, não poderiam em hipótese alguma contrariar as idéias religiosas, mesmo porque o próprio clero estava envolvido na elaboração e veiculação dos conhecimentos da época. O papel da razão, portanto, era justificar as doutrinas cristãs. A única fonte de conhecimento que se tinha era a Bíblia. Todo saber constituído subordinava-se a fé e toda visão de mundo era determinado por ela: a vontade de Deus exercia o papel de fundamento do raciocínio.
Pensar em gerar conhecimento significava combinar opiniões tradicionais sobre as coisas, seguindo as regras aristotélicas. O saber é mediado, isto é, a pessoa não vai a realidade para comprová-la, mas as opiniões para falar sobre algo. A priori todos os problemas já estão solucionados. Deus é centro e a causa de todo fenômeno natural. Toda verdade é revela por Ele.
Porém, vários acontecimentos a partir do século XVI vão enfraquecendo o poder da Igreja: o surgimento da burguesia; a reforma protestante que foi uma violenta campanha contra a tradição e contra a infabilidade papal; o surgimento de novos métodos científicos; a autonomia da filosofia em relação à teologia e a rejeição da filosofia nos moldes aristotélicos– escolástica que representou uma reviravolta no pensamento humano sendo, o filósofo Descartes, através da sua obra O Discurso do método, o principal responsável por essa mudança radical.
Tendo em vista esses acontecimentos, o homem passa a não ser mais condicionado por um ser divino mas, pela sua própria razão. É ele que dá sentido a tudo que existe. Ele passa a procurar uma explicação racional para tudo que existe no mundo. A razão não é revelada e tem origem na própria estrutura cognitiva humana. É o período de um novo momento histórico chamado modernidade.

II. A MODERNIDADE: DEUS É A CIÊNCIA
A modernidade é um processo que tem sua origem no século XVI, quando começa a emergir um novo tipo de humanidade consciente de sua própria autonomia e de sua própria força racional. No momento em que Descartes cunha o famoso axioma "Cogito, ergo sum", a razão começa a celebrar o seu triunfo, empurrando a fé (no caso, a fé cristã!) sempre mais para a periferia. Nesse período, a perspectiva teocêntrica dá lugar ao antropocêntrica. Deus deixa de ser lógos, e a racionalidade, que seria um limite à sua onipotência, tornar-se um atributo exclusivo do homem. Ora, se Deus não é lógos, não pode ser conhecido pela razão humana. Desligando-se do Deus incognicível, a razão volta-se para o que pode conhecer, o mundo físico e o mundo humano.
Este novo período chamado de modernidade desemboca na sociedade que denominamos "secularizada". O eixo da civilização deixou de ser a religião, como foi no passado, e se deslocou para a economia (produção e trabalho) e a política. A religião passou para o domínio privado. Para a sociedade moderna, a religião não conta. As esferas da vida humana tornam-se sempre mais autônomas. O que conta na vida do ser humano é este mundo, é a imanência. A transcendência nada mais diz ao homem da modernidade. É o fenômeno do "secularismo".
Entre os objetivos da modernidade aparecem dois como fundamentais: o esclarecimento e a emancipação dos homens. Trata-se de um momento histórico marcado pela valorização da razão e da autonomia do indivíduo em contraposição à fé e à submissão a superiores hierárquicos (fossem membros do clero ou governante)s. Tratava-se de vencer as "trevas da ignorância e do preconceito", armando-se com a "luz da razão".
A ciência surge como o único meio para resolver, ao longo do tempo, todos os problemas humanos e sociais. Ela é garantia absoluta do destino progressista da humanidade. Trata-se de um otimismo geral, que brota da certeza do progresso incontível rumo a condições de bem-estar generalizado.
Porém, a razão que antes emergira para combater o mito e promover a emancipação, reduziu-se apenas ao controle técnico da natureza e dos homens, trazendo à tona o horror a vida, inserida em relações de trabalho e dominação. A razão Cartesiana enraizou-se numa técnica e numa ciência que supervalorizou a racionalidade instrumental como único meio norteador e propulsor das ralações entre os indivíduos e, entre estes e a sociedade, trazendo conseqüências sérias para a vida humana: duas Guerras mundiais, Nazismo; Stalinismo, destruição da natureza e aumento da pobreza.
A razão instrumentalizada criou um mundo artificial que invadiu o mundo humano através da robótica e do tecnicismo, fazendo com que as relações fossem regidas por um pragmatismo das ações tornando-as coisificantes e violentadoras. Vê-se assim gerar uma Cultura do simulacro em que a representação artificial vale mais que o conteúdo. A ética, portanto, é escanteada e reduzida aos interesses do poder e do dinheiro que são a linguagem própria utilizada no mundo capitalista. Vale dizer que valores comuns, ideais a perseguir comunitariamente são dissolvidos por uma razão autônoma e irracional que gera seres coisificados.
Assim, a proposta de tornar todos os indivíduos universalmente morais através da transferência de suas responsabilidades morais para o legislador falhou, assim como o projeto de igualdade e liberdade. O progresso, que se aguardava pelo desenvolvimento da inteligência do homem, não veio para todos. A ciência não foi capaz de resolver todos os problemas sociais que afligiram e afligem a humanidade, como a fome, a desigualdade social, a má distribuição de renda, as doenças sexualmente transmissíveis, etc. A fé que tanta gente fazia na razão humana para programar, projetar alternativas e resolver as grandes questões humanas não satisfez as expectativas. Assim, deduz-se que o projeto da modernidade – este período governado pela deusa ciência e pela técnica – faliu. A modernidade entrou numa profunda crise. Surge, então, um novo momento histórico chamado de pós-modernidade.

III. A PÓS-MODERNIDADE: CRISE DA RACIONALIDADE MODERNA E RETORNO AO SAGRADO
Trata-se de um novo momento histórico conhecido como "crise da racionalidade moderna". É um momento histórico marcado pela descrença na razão e na ciência.
Esta decepção tem a sua razão de ser ao considerar a situação cada vez pior em relação à vida humana e ao meio ambiente, considerando as guerras que prosseguem, as experiências atômicas que continuam, as injustiças e distâncias crescentes entre ricos e pobres e o fracasso de muitas previsões otimistas. A pós-modernidade não acredita num progresso necessário e infinito. Este ideal mostrou-se e mostra-se irrealizável. Em vez do progresso sonhado, houve regresso: concentração de riquezas nas mãos de poucos e aumento acelerado da pobreza. A ciência, assim, está perdendo seu valor como fonte de sentido e como princípio válido de orientação cultural. Esta crise das forças de configuração dos tempos modernos tem necessariamente seus efeitos sobre o que há de mais íntimo no homem do Ocidente e coloca em xeque seu pensar, seu agir e seu sentir. Vejamos as principais conseqüências aos efeitos drásticos causados pela modernidade, que estão presentes na pós-modernidade:

III.1. A ética
Os filósofos modernos ficaram mais preocupados com a prática do que a teoria. Tudo ficou reduzido ao campo prático. A ética ficou escanteada, ficando, assim, subordinada aos efeitos causais. Desse modo, tudo passou a ser justificado, trazendo, assim, várias conseqüências para o novo momento histórico que estamos vivendo:
- A responsabilidade: além de proclamar a auto-suficiência da razão humana e de rejeitar a pretensão de Deus em ditar a sorte humana, minando assim o mais sólido fundamentos em que se apoiou no passado a instrução moral, o movimento moderno pulverizou qualquer chão sobre o qual se funda conceitualmente os mandamentos morais - minou a moralidade como tal: as responsabilidades não vão além das obrigações contratuais. A responsabilidade pelo outro e pela a coletividade é negligenciada e só é sentida quando ela falta. Ela vive flutuando e pode recair na cabeça de que nada tem haver.
- A obediência: a obediência só se dá pelo cumprimento da lei. Não existe uma justificabilidade;
- A moral não tem fundamento: a moral pós-moderna é fundamento sem fundamento por que nada é absoluto. Nenhuma norma é dogma. O que se chegou a associar-se como a noção pós-moderna da moralidade é muitíssima vezes a celebração da morte do ético, da substituição da ética pela a estética. A moralidade pós-moderna é, portanto, uma moralidade sem código ético. Ela é crítica de si mesma, enquanto a moral moderna era crítica da religião e da ciência. A moralidade é não-universalizável;
- A sociedade tornou-se pluralista: não existe apenas uma cultura ou um pensamento. O singular é monótono. Só é possível ser uno no plural;
- Deslegitimou-se a idéia de auto-sacrifício: as pessoas não estimuladas ou desejosas de se lançar na busca de ideais morais e cultivar valores morais; os políticos depuseram as utopias; e os idealistas de ontem tornaram-se pragmáticos. O mais universal de nosso slogan é nenhum excesso. Trata-se de um individualismo não-adulterado e de busca de boa vida, limitada só pela exigência de tolerância;
- A moralidade é incuravelmente aporética: poucas escolhas (e apenas as que são relativamente triviais e de menor importância existencial) são boas sem ambigüidade. A maior parte das escolhas morais são feitas entre impulsos contraditórios eu moral move-se, sente e age em contexto de ambivalência e é acometido pela incerteza. Percebe-se que raramente atos morais podem trazer completa satisfação; a responsabilidade que guia a pessoa moral está sempre adiante do que foi e do que pode ser feito.
- A incerteza moral: as normas éticas se tornam impotentes. Tudo é transitório. A autoridade e a inefabilidade são negadas pois não confiamos em nenhuma plenamente por logo tempo pois tudo é questionado e tido como suspeito. Nossa responsabilidade moral e coletiva, assim com a responsabilidade moral de todo homem e de toda mulher, nada no mar da incerteza.
- O grande tema, liberdade e igualdade, virou anarquia: a responsabilidade desapareceu em meio a massa. As regras normativas passaram a ser o próprio indivíduo.

III.2. A concepção de verdade
Não existe mais um fundo ontológico em relação a verdade, pois a realidade é uma ilusão. Para o pós-moderno, a única verdade seria a ausência de verdade, o único bem a ausência de bem, e assim por diante. Cada um tem a capacidade de decidir sobre como viver, o que fazer, e assim por diante. A verdade passa a ser interna a cada homem, não mais exterior e transcendente, pois cada homem possui a verdade dentro de si (panteísmo) e faz parte de um todo (Holos) que se percebe necessariamente no imanente.

III.3. A mentalidade imediatista
A Pós-modernidade forma uma mentalidade imediatista no homem. O seu lema é: "Aproveitar o máximo o presente e não se preocupa com o que vem depois, que pode ser a morte”. Para o homem pós-moderno existe apenas um propósito subjetivo: “acima de tudo experimentar fortes sentimentos de prazer, e secundariamente evitar o desprazer”.
Enquanto a modernidade se baseia no ideal de trabalho (surgido principalmente após a "Revolução Industrial"), que garantiria o futuro, e na racionalidade científica, a Pós-modernidade nega o interesse pelo futuro e procura a sensibilidade ao invés da racionalidade.

III.4. O pacifismo consensual pós-moderno
Não havendo pelo que lutar ou o que defender (tudo é relativo, até mesmo aquilo em que eu suponho acreditar), a Pós-modernidade gera uma sociedade pacifista e consensual. Trata-se de um pacifismo onde todos não lutam pelo que acreditam, ou não acreditam no que lutam, pois toda ideologia é falsa.
Não há uma objetividade de juízo sobre os seres, logo, não há como lutar por coisas incertas, muito menos matar ou morrer por alguma coisa que não vale a pena.

III.5. A apatia política
No campo político-social, a pós-modernidade se traduz por uma profunda apatia e desinteresse, explicado pela própria ausência de ideais, de verdades pelas quais lutar, de ideologias, de certezas e objetivos.

III.6. O adeus a tradição e a autoridade
O homem pós-moderno não é mais o homem que sofre a ruptura entre o passado e o presente, entre o ante e o depois, mas o homem que carrega em si mesmo a ruptura como o mesmo de sua vontade. Será criador aquilo que rompe com o passado.

III.7. A tecnologia
A tecnologia entra como elemento que proporciona a humanidade uma vida melhor, está sempre superando a si mesma. As inovações que, antigamente, exigiam o trabalho de várias gerações têm lugar atualmente em só geração. Através da técnica o homem ultrapassa seus próprios limites, cria sempre algo que o ajude a viver mais, a progredir na vida. Desse modo, a tradição se torna inútil, um monte de lixo da história.

III.8. No campo religioso: Retorno ao Sagrado
Alguns propósitos e referências que guiaram a humanidade durante muito tempo desapareceram nesta virada de século. A fé que tanta gente fazia na razão humana para programar, projetar alternativas e resolver as grandes questões humanas não satisfez as expectativas da grande maioria. Assim, deduz-se que o projeto da modernidade – este período governado pela deusa ciência e pela técnica – faliu. Por esse motivo, vive-se um momento caracterizado pela carência de projetos concretos e coletivos. Já que não é possível encontrar respostas satisfatórias na razão humana para resolver os dramas pessoais e coletivos, procura-se, então, na experiência religiosa - marcada pela sua pluralidade - uma resposta eficiente para compensar as crises existenciais.
Percebe-se, então, uma emergência do Sagrado, desde suas formas pagãs, até as manifestações conservadoras e fanáticas. Essa busca é caracterizada pela experiência emocional e pela valorização a subjetividade e tudo aquilo que diz respeito aos sentimentos. É um retorno ao Sagrado, mas um sagrado que nega a exigência da fé comunitária, os conteúdos doutrinais e as religiões institucionalizada, colocando em destaque uma experiência pessoal extremamente - epidérmica - íntima e sincretista, onde o culto a estética, ao corpo e a aparência é uma constância. Trata-se de uma fé sentimentalista que acaba na própria individualidade e que faz com que as pessoas provem todas as coisas, sem qualquer tipo de distinção. A satisfação prazerosa é o princípio que justifica tudo o que se faz.
O Sagrado vem sanar, em nível individual, as carências, necessidades e feridas que a sociedade altamente tecnificada tem produzido: o horror de duas guerras mundiais neste século, os artefatos bélicos atômicos capazes de destruir várias vezes toda a vida no planeta, a péssima distribuição da renda a nível mundial, com a espantosa diferença entre o assim chamado "primeiro mundo" e o "terceiro mundo". E hoje, seja no "primeiro", como no "terceiro" mundo, a "globalização da economia" que traz consigo o espectro do desemprego. Já não se pode confiar na razão instrumental, técnica, científica, pois ela continua devastando a natureza, destruindo a cada dia inúmeras espécies de vida, poluindo as águas, os ares, o solo e o subsolo, desgastando os relacionamentos humanos. Enfim, impõem-se o medo, a angústia, a falta de sentido, subprodutos do desenvolvimento. Entregue à frieza da técnica, à carência de sentido, o homem reage buscando o oposto: a harmonia, a emoção, a intuição, a razão fruitiva e comunicativa. Rasga-se então enorme espaço para o surto religioso de todo tipo: esoterismo, promessas de curas, práticas de ocultismo mágico, passagens pelo fogo, saunas hindus, a fé na virada do tempo para uma Nova Era do homem aquariano.
A onda mística destes últimos anos reflete forte dose compensatória da carência existencial. O olhar desvia-se do sagrado como valor absoluto em si e, por isso, normativo, para concentrar-se no indivíduo necessitante de conforto. O sagrado vem consolar, resolver os problema imediatos. Portanto, o homem se volta para a religião em busca de paz e de bem estar para resolver os seu problemas espirituais - é uma maneira de compensar e preencher as lacunas do seu mundo vazio e solitário, cheio de descrença e ilusão. Por esse motivo, muitos procuram experiências religiosas mais adequadas ao novo contexto: esoterismo, astrologia, quiromancia, cultos afros e seitas pentecostais, que obedecem a uma fórmula de muita emoção e pouca razão. É um verdadeiro “mélange” ecumênico, onde cada um faz o que quer e o que lhe agrada.
Por outro lado, a busca do Sagrado não é um fenômeno religioso tipicamente negativo, pois demonstra a sede que todo homem tem de encontrar-se consigo mesmo e com Deus. Alguns pontos merecem destaque pois nos permite a valorizar e a respeitar mais a subjetividade do indivíduo, rompendo com os esquemas tradicionais; ajuda-nos, assim, a cultivar mais o elemento místico, através da oração pessoal e da contemplação.


BIBLIOGRAFIA

ABBAGNANO, Nicola. História da filosofia. Tradução de Antônio Ramos Rosa. 3ª ed. Lisboa: Ed. Presença, 1992. Vol. VI.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda e MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 1986.

__________ . Temas de filosofia. São Paulo: Ática,1995.

BOEHNER, Philotheus, GILSON, Etienne. História da filosofia cristã desde as origens até Nicolau de Cusa. Tradição de Raimundo Vier. 5ª ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

BOFF, L. Mística e espiritualidade,

CONTRIN, Gilberto. História e consciência do mundo. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 1993.

___________. Fundamentos da filosofia. 13º ed. São Paulo: Saraiva, 1997.

CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. 4ª ed. São Paulo: Ática, 1995.

CUNHA, José Auri. Filosofia: iniciação à investigação filosófica. São Paulo: Atual,1992.

GAARDER, Jostein. O Mundo de sofia. Tradução de João Azenhar. 3. ed. São
FREITAG, Bárbara. A teoria crítica ontem e hoje. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.

GASTALDI, I. Educar e evangelizar na pós-moernidade,

MONDIN, Battista. Introdução à filosofia. Tradução de Renard. São Paulo: Paulinas, 1980. Coleção filosofia, Vol. II.

___________ . Curso de filosofia. Tradução de Benôni Lemos. 3ª ed. São Paulo: Paulinas, 1983. (Coleção filosofia).

OLIVEIRA, Manfredo Araújo de. Ética e racionalidade moderna. São Paulo: Loyola, 1993.

REALE, Giovanni, ANTISERI, Dario. História da Filosofia. 2ª. ed. São Paulo: Paulus, 1991. Col. Filosofia.

TOURAINE, Alain. Crítica da modernidade. 4ª ed. Petrópolis: Vozes, 1997.

TUGENDHAT, Ernst. Lições sobre ética. Petrópolis: Vozes, 1997.

3/18/2006

CONHECIMENTO E FILOSOFIA




O CONHECIMENTO ORDINÁRIO

A racionalidade que surge da necessidade de enfrentar fatos imediatos, resolver problemas propostos por interesses variados sem uma prévia discussão.
Quase não apresentam evidências que esclareçam os fatos, quando as apresentam não se baseia em pesquisas seguras.
Pode conter elementos de: CIÊNCIAS, FILOSOFIA E RELIGIÃO.
O saber ordinário é:
1. Praxístico-operativo, contendo uma visão do mundo, pré-científico;
2. Articula-se no contato da vida;
3. Vincula-se ao saber de ;uso e de organização das coisas;
4. Uma leitura do sentido da vida através da experiência imediata na tradição histórica;
5. Uma figuração representativa da totalidade do real presente e ausente, recordando nas lendas, provérbios, ritos e preceitos populares.
6. O saber ordinário (senso comum) deve ser substituído pelo científico, embora reste alguma coisa no povo.

O CONHECIMENTO MITICO

A ciência define o mito como indicando algo irreal, inatingível e a considera lógica ou irracional. Mesmo assim, não consegue controlar esta linguagem.
"O conhecimento falado em mitos traduz uma intelecção do ser de validade originária e primária, que se coloca num plano diferente da lógica racional. (Arcângelo Buzzi).
É preciso reconhecer que:
Ø O mito é conseqüência e unidade de sentimento mais que regras lógicas;
Ø Esta unidade é um dos impulsos mais fortes e originais do pensamento primitivo;
Ø O mito é uma intuição da realidade exprimindo dimensões profundas e perenes ao nível da estrutura da psique humana;
Ø Cada época tem seus mitos, prenhes de significação:
A. Sofistas - separam o mito da razão;
B. Platão - considerou a narração mitológica como envoltura da verdade filosófica - como modo de explicar certas verdades que escapam ao raciocínio;
C. Freud e Jung - expressam o saber da psiqué em mitos;
D. A antigüidade - problemas da existência humana - árvore da vida, de Dionísio, de Prometem do paraíso perdido;
E. Tempos modernos - sociedade desenvolvida - hegemonia do proletariado como fim de todas as alienações;

Ø Exercem funções sociais como a força que faz a história;
Ø São linguagens que permite e possibilita a sociedade viver os fatos em unidade e coesão superior.
Ø Não é objeto de pura investigação empírico-descritiva, nem de manifestação histórica de algum absoluto;
Ø É a forma de ser de uma consciência.

O CONECIMENTO FILOSÓFICO

Ø Está ligado ao eu, e ao mundo;
Ø Parte de uma auto-reflexão, da teoria abstrata;
Ø É uma forma de vida;

A filosofia, não é como as ciências singulares que têm por objetivo aspectos parciais da realidade, a filosofia dirige-se ao seu conjunto.

O CONHECIMENTO DA FÉ

O homem quando nasce, já se encontra envolvido em um sistema de crenças, que habitua-se a elas. Ele vive do conhecimento da fé nos Pais e em Deus (ou em deuses).
Ø A fé esta na raiz da ação do homem, exercendo-a como confiança, como esperança e auto-segurança de sua existência;
Como é que a filosofia se relaciona com a religião?
Ø Encontram-se no mesmo enigma do universo e da vida em face da poesia;
Juntas tentam revelar uma concepção do universo: são diferentes quanto a sua origem. Depende de fatores subjetivos, tendo a experiência pessoal de vivências religiosas.